Liceu Literário Português - Semântica - André Conforte (faltam as perguntas, procurar para incluir)
Trata-se de um caso de polissemia. Muito embora possam se confundir os conceitos de polissemia e homonímia, é possível considerar certa unanimidade para o caso. Observa-se uma relação metafórica entre o estado de maturação do melão e a maturidade do sujeito emissor do discurso, que se compara à fruta. Nesse sentido, entendendo que metáforas são compartilhamentos de semas, o traço semântico comum pode qualificar tanto a fruta, quanto o falante e fomentar o aspecto humorístico a partir da comparação.
Neste caso, ainda admitindo o critério dos traços semânticos comuns, podemos considerar o caso apresentado como homonímia, pois não se recuperam, sincronicamente, semelhanças entre as diferentes unidades de significação. É possível considerar também o critério morfológico, dado que as classes gramaticais sejam diferentes - para o caso de trago, substantivo, como ato ou efeito de tragar um cigarro e trago como conjugação do verbo trazer. O efeito de humor reside na escolha do vocábulo homônimo perfeito que reside tanto no campo semântico do hábito de fumar, como na esfera da afetividade.
O texto em questão pode ser admitido como um caso de paronímia. O humor se dá pela aproximação fonética entre o famoso personagem Yoda e atividade Yoga. Ainda que não seja um caso de paronímia explícito, que poderia estar prescrito em uma gramática normativa, o leitor percebe a aproximação entre os termos pelo contexto, motivado pela intenção comunicativa do autor da charge. Diferente dos outros casos, o humor está fora da superfície textual, de modo que sem o apoio imagético, a paronímia não ocorreria.
Diante do critério morfológico, deve-se considerar que ambas as ocorrências apresentadas - quais sejam, some enquanto flexão do verbo sumir ou enquanto flexão do verbo somar - assumem a mesma classe gramatical, o que poderia nos conduzir a um caso de polissemia. Entretanto, não se observa qualquer efeito metafórico ou de compartilhamento de semas. Portanto, admitindo o último critério como um caminho mais seguro para a classificação, o texto apresenta caso de homonímia. O efeito de humor é garantido pela quebra de expectativa em função do absurdo no momento em que o menino desaparece.
O texto apresenta ocorrências de antonímia, polissemia e homonímia. A antonímia é observada na relação de sentidos opostos entre os vocábulos solta e prende. Na primeira fala, temos a ação de soltar o cabelo e, na segunda, a ação de não dizer coisas inconvenientes, isso colabora para a construção do humor da tirinha. Ademais, temos aqui a polissemia do termo solta, que irradia os sentidos de soltar o cabelo e da expressão “língua solta”, que se refere a alguém que fala em excesso. Por fim, a homonímia homógrafa, entre a flexão do verbo soltar e o adjetivo solta, é aproveitada na segunda fala pela personagem para arrematar o diálogo.
Angélica Abdon Coutinho
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