Resenha de filme - Vestido de Noiva 2010.1

 

Angélica Abdon Coutinho

Teatro Brasileiro 2010.1

Professora Vilma Costa

Vestido de Noiva

 

É difícil comparar as artes. A linguagem cinematográfica em muito se difere da arte escrita. A versão em filme recebeu críticas divergentes, algumas elogiando a seriedade e o empenho empregados na obra, outros afirmando que o filme era teatral demais, que não conseguia a sua autonomia como cinema puro. O problema é que Vestido de Noiva é um filme construído quase todo sobre de diálogos. As lembranças de Alaíde são reconstituídas através de um diálogo com a Madame Clessi, que desperta flashbacks e devaneios que encadeiam outros diálogos.

O final revela que cenas e falas que a princípio pareciam inutéis apresentam funções específicas para o entendimento do enredo.

Algumas das cenas podem ser chocantes, apesar da delicadeza com que acontecem. Numa delas Alaíde está inconsciente após o atropelamento e quando chega no hospital, ela é despida pela equipe médica, para que possa ser tratada. Um dos enfermeiros comenta, com uma naturalidade mórbida, sobre a beleza do seu corpo. Já em outra cena, está Madame Clessi e seu amante, um jovem de 17 anos. Após beijar o garoto, a cafetina comenta: “Você se parece tanto com o meu falecido filho”.

No entanto uma das mais marcantes é a cena final onde se misturam as imagens do funeral e do casamento de Alaíde, que mistura os sons da Marcha Nupcial com os da Marcha Fúnebre.

Sobretudo  a magia de saber que ao menos uma das cenas se parece um pouquinho com o filme que nós vemos agora. Troca-se uma magia dentro da outra.

Algumas tiradas da câmera e até o efeito fumaçado dos flashbacks são recursos que valorizam a produção e expõem com maior riqueza os sentimentos propostos na peça.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Prática Docente II - O direito da pessoa com deficiência às salas de aula regulares - 2010.1

Prática Docente II - Integração x Inclusão dos portadores de deficiências em sala de aula 2010.1