Resumo do Filme Crime Delicado - 2010.1
Angélica
Abdon Coutinho – 2010.1
Crime
Delicado
(adaptação da obra homônima de Sérgio Santan’na)
Diretor:
Beto Brant
Gênero:
Drama
Duração:
87 min.
Ao assistirmos o filme temos a nítida
impressão de que alguma coisa da nossa imaginação conseguiu captar exatamente
as sensações de pelo menos uma das cenas.
Logo no início intercalam-se momentos de
cenas de teatro que tentam nos trazer para a realidade do crítico teatral Antônio
Martins que logo tem sua vida transformada ao conhecer Inês em um boteco.
Neste encontro há uma atração mais
intelectual que física a princípio e então ao descobrir a deficiência de Inês e
entender sua história somente uma indignação pelo absurdo toma conta de Antônio
Martins.
As cenas mostram a casa do artista José
Campana e ali acontecem os principais conflitos da trama. Inês usa o sobrenome
Campana e sobrevive da arte dos famosos quadros eróticos de seu tutor.
Antonio julga uma situação escrava e de
abuso entre o artista e sua modelo. E já não consegue mais se relacionar com outras
mulheres. Ele sempre solitário recebe ao fim de um espetáculo uma atriz que
deseja conquistar boas críticas ao seduzi-lo.
Eis uma das cenas que através das
ferramentas técnicas do cinema expressa um sentimento e traduz a mente do
personagem para nós.
Aquela atriz mesmo depois de ouvir
desaforos ofensivos do crítico ainda vai até a casa dele. Lá ela deita nua na
cama e espera pela relação sexual que ela acreditava ser sua guinada
profissional. Nossa surpresa é ver Antonio imaginar risadas de um público que via
ele e a moça sobre a cama sendo assistidos, julgados e condenados num ambiente
debochado e constrangedor. Ele que for acrítico de tantas obras agora estava
incapaz de ser seu próprio crítico.
A habilidade de transportar uma cena de
um quarto da casa para o tablado de um tetro é uma das cenas impressionantes do
filme.
Entretanto há uma ainda mais
intrigante. Depois de discutirem, Inês e
Antônio se misturam numa relação sexual e pessoal tão ambígua que a moça
deficiente por fim o acusa de estupro.
Eis a cena que mais causa impacto e
traduz a sensação do texto de Sergio Santan’na: enquanto estamos ouvindo o
depoimento de Inês e suas respostas as perguntas sobre o ocorrido temos
muitíssima certeza de sua sinceridade. E nenhuma certeza de seu consentimento ou
não consentimento ao ato que os levou até ali.
Esta, portanto é a cena que consegue
trazer claramente a imagem da delicadeza do crime, da essência da obra.
Certamente desde o primeiro momento cada performance de câmera, de iluminação,
de figurino e sobretudo dos atores trazem uma intertextualidade intensa com a
obra. E o desfecho do longa-metragem convence o público da profunda relação
deste com a imaginação e os sentimentos da obra escrita.
Comentários
Postar um comentário